Diálogos - Psicologia Clínica, Psicoterapia, Psicanálise

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Ansiedade

A ansiedade é um estado psicológico caracterizado por inquietação, preocupação e medo, uma visão exagerada dos problemas e o sentimento de estar sempre nervoso. Os estados de ansiedade geram sintomas físicos, emocionais e comportamentais. Um certo nível de ansiedade é importante para podermos antecipar danos possivelmente decorrentes de uma determinada situação. No entanto, nas perturbações da ansiedade, a agitação é permanente e desproporcional, gerando sofrimento para a pessoa e problemas ao nível das relações afectivas, conjugais, sociais, do desempenho académico e do desempenho profissional.

Sintomas de Ansiedade

  • Nervosismo, inquietação ou tensão

  • Sentimentos de perigo, pânico ou pavor

  • Aceleração do ritmo cardíaco 

  • Respiração rápida ou hiperventilação

  • Sudorese aumentada 

  • Tremores ou espasmos musculares

  • Dificuldades de concentração e em "desligar" do motivo de preocupação

  • Insónias

  • Problemas digestivos ou gastrointestinais

 

Tipos de Ansiedade

 

A ansiedade varia em termos da sua intensidade, duração e ligação ou não a um estímulo específico. De forma geral, as perturbações da ansiedade podem ser agrupadas em três grandes tipos:

 

1. Perturbação de Ansiedade Generalizada

Caracterizada por um estado de preocupação permanente com diversos aspectos da vida (relações afectivas, familiares, laborais, dinheiro, saúde). Embora a pessoa perceba que sua preocupação é exagerada, os sentimentos de ansiedade persistem e parecem incontroláveis. Algumas pessoas podem manter um emprego e levar uma vida relativamente funcional, mas lutam constantemente contra o seu sentimento de preocupação e angústia.

 

2. Ataques de Pânico

Caracterizados pelo surgimento súbito e intenso de sintomas físicos como aceleração cardíaca, aumento da tensão arterial, tonturas, falta de ar e náuseas. Os ataques de pânico surgem abruptamente em menos de dez minutos e podem durar várias horas. Têm ainda a particularidade de gerarem ansiedade antecipatória, isto é, ter medo de voltar a ter um ataque de pânico, o que aumenta a probabilidade de ele vir a acontecer.

 

3. Fobias Específicas

Consistem no medo persistente e excessivo de um determinado objeto ou situação (medo de espaços abertos ou espaços fechados, alturas, andar de avião, andar de elevador, determinados objectos e animais). O medo é causado pela ameaça de proximidade do objeto fóbico. Por norma, o sujeito fóbico reconhece que seu medo é excessivo e irracional, no entanto, tal não surte efeito no sentido de diminuir a sua ansiedade.

 

Compreender a Ansiedade

 

Em termos compreensivos, a ansiedade está associada a vários tipo de medo. As formas mais maduras de ansiedade estão associadas ao medo de não conseguir corresponder às expectativas dos outros. Uma fonte mais primitiva de ansiedade em termos de desenvolvimento é a possibilidade de perder não apenas o amor do Outro, mas também o apoio do Outro, que é geralmente chamada por ansiedade de separação. As formas mais imaturas de ansiedade são a ansiedade persecutória e a ansiedade de desintegração, a primeira associada a sentimentos de perseguição e a segunda ao medo de perder o senso do self, quer pela fusão com o outro, quer pela desintegração identitária e perda de contacto com a realidade. No caso da fobia, não existe uma razão específica para a ansiedade, mas uma tentativa de simbolizar uma razão para a ansiedade, uma tentativa de transformar a ansiedade em medo de alguma coisa. Este processo não é consciente, mas é por isso que a fobia parece algo exagerado. O sujeito tem medo de outra coisa, não do objecto fóbico em si. É necessário tentar compreender do que é que o suejito tem medo.

Cada pessoa tem formas mistas de ansiedade, e algumas podem ter tipos de ansiedade que não se excaixam perfeitamente nestas categorias. No entanto, é importante compreender a origem da ansiedade, estabelecendo associações à história de vida do paciente.

Tal como na depressão,  na ansiedade, os factores ambientais e os agentes stressores desempenham um papel preponderante, ainda que haja uma pequena influência de factores genéticos. Os agentes stressores tendem a estar associados a alterações no nível das expectativas depositadas sobre o sujeito, particularmente relacionadas com situações de trabalho ou com a perda de figuras centrais na vida do paciente. Muitas destas perdas estão associadas a experiências de infância, relacionadas com o afastamento ou a morte de um dos pais e a sentimentos de desamparo. Os indivíduos com ansiedade têm ainda muitas dificuldades em lidar com a raiva e a agressividade e é a ansiedade que está na origem da maioria das perturbações do controlo dos impulsos agressivos, mesmo que o indivíduo não tenha consciência disso. 

Tratamento da Ansiedade

 

O tratamento da ansiedade consiste na progressiva elaboração da natureza do medo e do estabelecimento de relações com a história de vida do paciente. A elaboração destes elementos permite ao paciente transformar a sua ansiedade num conhecimento sobre si mesmo e sobre a sua história, tornando-a muito mais manejável e tolerável para si próprio.