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Questões Frequentes

O que é a Psicoterapia?

A Psicoterapia trata-se de uma “cura através da fala”, isto é, não constituída por ações. O tratamento é feito pela palavra, usada por profissionais qualificados por meio de uma relação específica, com auxílio de procedimentos psicológicos, para reduzir o sofrimento de alguém que procura ajuda.

 

Dois fatores separam as relações psicoterapêuticas dos outros tipos de relação: primeiro, psicoterapia é uma relação unilateral. O psicoterapeuta preocupa-se com o bem-estar do paciente mas não fomenta a preocupação do paciente pelo seu bem-estar, ou seja, o prazer e a satisfação que surgem na relação psicoterapêutica não são um critério para que o psicoterapeuta a prolongue o cesse, tal como acontece noutras relações. Segundo, os papéis e responsabilidades do psicoterapeuta são definidos. Por exemplo, o psicoterapeuta vê o paciente apenas durante as sessões marcadas, não interrompe as sessões ou o processo e, fora raras excepções, não discute assuntos não relacionados com o foro psicoterapêutico.

 

A relação psicoterapêutica actua tanto ao nível tanto das relações interpessoais, como ao nível das relações intrapessoais, isto é, dos modelos de relação interiorizados, da relação do indivíduo consigo próprio (com o Self). O tipo de relação estabelecida no contexto clínico permite uma aprendizagem através da relação interpessoal, com o outro, e também a vinculação a um cuidador. Essa nova relação e as suas características muito particulares serão o principal agente de mudança em psicoterapia.

 

Por que motivo as pessoas procuram Psicoterapia?

 

As pessoas procuram a psicoterapia principalmente por três motivos:

a) o alívio de sintomas em caso de sofrimento emocional ou a alteração de padrões de comportamento;

b) a passagem por crises pessoais ou enriquecimento pessoal;

c) desejo de aumentar a sua produtividade profissional ou o desejo de aprender a viver melhor com os outros.

 

Dependendo dos casos, os motivos podem ser, e são com frequência, uma mistura dos três mencionados.

O que muda em Psicoterapia?

 

A psicoterapia aumenta a capacidade do Ego para a supervisão, monitorização e regulação do mundo interno do sujeito, através da desintoxicação da ansiedade que afecta o Eu. Além disso, ajuda a pessoa a implementar defesas mais adaptativas e oportunas para lidar com os conflitos do que no estado em que o indivíduo se encontra quando inicia a psicoterapia.

 

Durante a psicoterapia ocorre, igualmente, um aumento na capacidade de albergar memórias na parte consciente do ego, na medida em que a fala do paciente nas sessões vai fazendo emergir memórias importantes, mas que o paciente não tem presentes. Desta forma, as memórias tornam-se mais acessíveis e o discurso do paciente menos inibido e mais fluente. Isto surge por si só como um benefício, mas também ajuda o paciente a desenvolver a capacidade de se observar a si próprio.

 

Através da análise das defesas e do apaziguamento da ansiedade, o paciente tem acesso a memórias que anteriormente eram demasiado traumáticas e intoleráveis para o ego. Desta forma, num ambiente seguro, através da relação terapêutica, o paciente tem acesso a aspectos importantes da sua experiência que são gradualmente elaborados. Perdem assim a sua intensidade, causadora de limitações, e deixam o ego mais livre para investir no presente e na realidade. Isto significa que os padrões mentais, a passividade e os comportamentos automáticos se tornam menos frequentes e o paciente mais capaz de dirigir as suas escolhas.

 

O paciente fica também mais afinado com as suas necessidades e passa a ser mais fácil para si distinguir os seus próprios valores dos valores dos outros, que anteriormente seguia como se fossem os seus. Ao mesmo tempo, os impulsos são mais bem controlados porque o paciente tem mais instrumentos para pensar. Passa a haver também um predomínio maior da afectividade sobre os impulsos agressivos, com a ajuda da capacidade de neutralização de impulsos por parte do Eu.

 

A conjugação destas mudanças dará também ao paciente uma representação de si próprio (do seu Self) mais alargada. Há uma aproximação maior ao Ideal do Eu e um conhecimento mais alargado dos afetos. O Self adquire também limites mais definidos, o que permite uma maior diferenciação entre o Eu e o Outro e reduz o uso de defesas arcaicas como a projecção, a introjecção e identificação projetiva. Estes aspectos correspondem ao que vários autores concordam em chamar um estado de “normalidade”.

 

No início da psicoterapia, o paciente chega com a percepção deformada da realidade, uma angústia por vezes intensa, um Eu frágil e instabilidade intrapsíquica. Com a melhoria gradual destas características, no final, o paciente tem um Eu mais saudável e é mais capaz de lidar com a realidade de forma ajustada.

Como muda a Psicoterapia?

 

A mudança começa com o estabelecimento de uma relação de cariz muito particular. Este tipo de relação facilita gradualmente a partilha do mundo interno do paciente, que é interpretado pelo psicólogo clínico ou psicoterapeuta.
 

Ao usar a livre associação de ideias, surgem conteúdos afectivos e cognitivos, do passado e do presente que são elaborados com a ajuda do psicoterapeuta. Através da utilização da capacidade de empatia, o psicoterapeuta identifica os conflitos inconscientes do paciente e procura os elementos conflituais e os afectos que necessitam de atenção, os impulsos e sentimentos que querem ser reconhecidos, assim como os bloqueios e oposições do paciente ou a ambivalência entre diferentes elementos.

 

O quadro teórico do psicoterapeuta permite-lhe identificar e diferenciar defesas, desejos e angústias subjacentes a esses desejos. O psicoterapeuta só interpreta os elementos pré-conscientes e que estão ao alcance analítico da mente do paciente. Quando o paciente elabora a interpretação, o insight gera um efeito de sentido e transforma conteúdos não compreendidos, a que chamamos traumáticos, em elementos mais manejáveis e aceitáveis para o sujeito.

 

O que é a Estrutura da Personalidade?

 

Um conceito essencial em psicoterapia é o de estrutura de personalidade. Para compreender a noção de estrutura de personalidade, podemos usar a metáfora usada por Freud. Nas Novas Conferências de Psicanálise, Freud recorre à química para mostrar a forma como visualiza a estrutura psíquica, dizendo que é formada como qualquer corpo cristalizado. Qualquer cristal, no seu estado de equilíbrio, é constituído por diversas fracturas que se reuniram de uma forma muito específica, com ângulos e linhas de clivagem muito precisas. Se esse cristal cair ao chão e se partir, não se vai partir de forma aleatória, mas sim seguindo essas microfracturas, ângulos e linhas de clivagem que o formaram.

 

O mesmo se passa com a estrutura psíquica de personalidade. Cada indivíduo, ao chegar à fase adulta, tem uma estrutura determinada, formada por certos traumatismos provenientes da sua história de vida, que a cristalizaram de uma forma específica, formando a sua estrutura de personalidade, que, ao descompensar, irá “quebrar” seguindo as mesmas “linhas de clivagem” com que foi estabelecida.

 

A Estrutura de Personalidade tem um carácter inconsciente. Isto significa que não é observável, e que inclusivamente não necessita de incluir sintomas característicos dessa estrutura. A estrutura é detectada através de repetições no discurso, que dão conta de permanências e padrões de funcionamento que se repetem na mente do paciente. Alguns autores consideram-na imutável e outros mutável. No entanto, ela é predominantemente estável, com mecanismos de defesa particulares, uma relação específica com o outro, um determinado grau de maturidade afectiva e um determinado equilíbrio, que definem a forma como a pessoa constitui e interage com o outro e a realidade.

 

Há três grande estruturas de personalidade: neurótica, borderline e psicótica, entre as quais variam quatros fatores: a natureza da angústia; o modo de relação com o outro, as defesas e o modo de expressão habitual dos sintomas ou da angústia. É importante salientar a mestria necessária para se fazer um diagnóstico estrutural, porque, por exemplo, um episódio alucinatório não basta para se poder afirmar que o indivíduo em questão possui uma estrutura psicótica, como um indivíduo com estrutura psicótica poderá não exibir quaisquer sintomas ou sinais de psicose.

 

A estrutura de personalidade começa a formar-se na infância até aos 5/6 anos, através das interações da criança com o seu meio e vice-versa, e encontra um estado definitivo no final da adolescência e no jovem adulto.

Questões sobre a diferença entre Psicologia e Psiquiatria

Qual a diferença entre a Psicologia e a Psiquiatria?

 

A diferença entre a Psicologia e a Psicoterapia reside nos modelos explicativos e formas de intervenção que estão dependentes desses modelos. A Psicologia entende o sofrimento psicológico como tendo origem na experiência - em factores discursivos, relacionais e sociais - enquanto a Psiquiatria, nomeadamente a chamada Psiquiatria Biológica, atribui-o a alterações do funcionamento cerebral. Por essa razão, a Psicologia intervém através da Psicoterapia, enquanto a Psiquiatria intervém através de medicação psicoactiva.

 

Qual é então a origem dos problemas psicológicos?

 

O paradigma actual considera existir uma interdependência de factores, ou seja, que o funcionamento cerebral influencia a maneira como o indivíduo experimenta o seu meio ambiente e que, inversamente  e a experiência com o meio ambiente altera o funcionamento cerebral. Existem ainda processos ligados ao pensamento abstracto, deliberação e tomada de decisão que apontam para a possibilidade uma certa autonomia do sujeito relativamente a estes factores.

 

Como saber qual a abordagem mais apropriada para o meu caso?

 

A abordagem terapêutica está dependente da eficácia do tratamento. Por essa razão, a escolha da abordagem mais apropriada deve ser discutida e ponderada com um clínico. Em casos muito severos, como nas psicoses e depressões incapacitantes, a toma da medicação pode viabilizar o trabalho psicoterapêutico e, noutros casos, a psicoterapia por si só produz resultados sem que seja necessário recorrer à toma de medicação.

 

Posso fazer Psicoterapia por mera curiosidade pessoal?

 

O desejo de auto-conhecimento é uma característica fundamental do Ser Humano, sendo um motivo perfeitamente válido para fazer Psicoterapia.

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